Ao soprar, deu-me vida
E vim habitar esta terra perdida
Onde vagam os mortos condenados à existência.
Arrancada da primeira morada
Abandonada me vi, sem abrigo da chuva ou do sol
E quando acabaram-me as forças, ele apareceu.
O anjo da morte trazia esperança
Numa caixa de ouro com dois corvos de ouro ao redor
Era a saída, o abrigo, a salvação - ou maldição.
Estendeu-me os braços e eu fui
Desorientada, recém moldada
Desamparada pela terra que deveria me sustentar.
O anjo da morte olhou-me nos olhos
Tomou-me em seus braços e me embalou
Onde senti-me querida, bem-vinda, protegida.
Logo em seguida, porém, tudo mudou:
Em seus olhos havia fogo e, nas mãos, força bruta e cruel
Foi a primeira vez em que sugou minha alma.
Inocência, pureza, encanto
Vi aos poucos deixarem meu espírito
- Que mal fiz? questionei-me, sem conhecer bem o que viria a ser mal.
Assim, minha luz foi se apagando
Meu brilho perdendo as forças
Meu corpo, de vivo, tornando-se morto.
E passaram-se os anos, séculos para mim
Aprisionada na caixa de ouro
Onde meus únicos tesouros eram trevas e frio.
Meus tormentos e brados não me acudiam
Despertavam, porém, a ira dos mortos
Que preferiam o silêncio ao barulho da veracidade dos fatos.
Até que me tornei um defunto
Estava assim, pronta para sair da caixa e ser lançada fora
Para sobreviver, resistir e existir sozinha.
Vi meus sonhos virarem pesadelos
Até que me esqueci de como se sonhar e passei a deixar a vida passar
Diante dos meus olhos como as borboletas na primavera.
-Amara
-Amara
Nenhum comentário:
Postar um comentário