Pairo no ar, flutuo na relva
O verde me toma, me desperta
O Sol me aquece de dentro para fora
Pois cá não queima, só ilumina
Passam-se horas, dias e dias
Pois não há noite, onde Ele é o Sol
Com as flores sorrio
Pulo, danço, subo, desço, rodopio
Mas não me canso, pois cá não há fadiga
Minha dança, meu canto, meu tudo
Tudo na sua mais perfeita forma
Sem normas, regras, padrão
Aqui não existem palavras negativas
Que poderiam ser usadas para rimar
Pois cá não há mar:
Os olhos são incapazes de produzir água salgada.
-Amara
domingo, 30 de setembro de 2018
sexta-feira, 28 de setembro de 2018
A MULHER QUE EU AMO
A mulher que eu amo
Está sempre comigo
Suporta meus delírios
Psicodélica sedução.
A mulher que eu amo
Reflete sob a lua
Sua mais doce ternura
Que conquistou meu coração.
A mulher que eu amo
Tem medo do escuro
Mas eu a tranquilizo
Fazendo-lhe canções.
A mulher que eu amo
Arrepia quando recito
Bem no pé do seu ouvido
Poemas de paixão.
A mulher que eu amo
Tem a beleza mais pura
Que minha tristeza toda cura Quando me lança seu sorriso.
A mulher que eu amo
Não tem vergonha de me amar
E é por isso que eu a amo
Sem medidas pra limitar.
A mulher que eu amo
A cada dia eu amo mais
Pois é diante do espelho
Que eu desvendo os seus segredos.
-Amara
-Amara
quinta-feira, 27 de setembro de 2018
O ANJO DA MORTE
Ao soprar, deu-me vida
E vim habitar esta terra perdida
Onde vagam os mortos condenados à existência.
Arrancada da primeira morada
Abandonada me vi, sem abrigo da chuva ou do sol
E quando acabaram-me as forças, ele apareceu.
O anjo da morte trazia esperança
Numa caixa de ouro com dois corvos de ouro ao redor
Era a saída, o abrigo, a salvação - ou maldição.
Estendeu-me os braços e eu fui
Desorientada, recém moldada
Desamparada pela terra que deveria me sustentar.
O anjo da morte olhou-me nos olhos
Tomou-me em seus braços e me embalou
Onde senti-me querida, bem-vinda, protegida.
Logo em seguida, porém, tudo mudou:
Em seus olhos havia fogo e, nas mãos, força bruta e cruel
Foi a primeira vez em que sugou minha alma.
Inocência, pureza, encanto
Vi aos poucos deixarem meu espírito
- Que mal fiz? questionei-me, sem conhecer bem o que viria a ser mal.
Assim, minha luz foi se apagando
Meu brilho perdendo as forças
Meu corpo, de vivo, tornando-se morto.
E passaram-se os anos, séculos para mim
Aprisionada na caixa de ouro
Onde meus únicos tesouros eram trevas e frio.
Meus tormentos e brados não me acudiam
Despertavam, porém, a ira dos mortos
Que preferiam o silêncio ao barulho da veracidade dos fatos.
Até que me tornei um defunto
Estava assim, pronta para sair da caixa e ser lançada fora
Para sobreviver, resistir e existir sozinha.
Vi meus sonhos virarem pesadelos
Até que me esqueci de como se sonhar e passei a deixar a vida passar
Diante dos meus olhos como as borboletas na primavera.
-Amara
-Amara
quarta-feira, 26 de setembro de 2018
AO ACASO
Aquele encontro ao acaso
perdidas na mesma direção
demos chances aos fatos
concretos
macios
uns sorrisos
conversas jogadas pra fora da boca e pra dentro do coração
Eu nem notei
ninguém pertence a ninguém
agora eu não me pertenço
e eu quero te pertencer
sendo agora
você quem sabe
Como se fosse agora
trazendo seu calor
dum cigarro
ela é espelho meu
Assistir aos olhos dela
escondido
e depois sofrer
lamentar
lágrimas que não secam
não cessarão.
-Amara
-Amara
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